O ocaso da energia fóssil

Energia alternativa no radar das petroleiras

23/10/2017 – Por Renato Rostás

 

Um consenso enfático em torno da busca por energias alternativas apareceu pela primeira vez dentre os interesses dos executivos de petróleo e gás no mundo todo.

Levantamento feito pela consultoria A.T. Kearney durante o primeiro semestre – e ainda inédito no Brasil – com o setor mostra que para 22% a construção de um portfólio com energias alternativas ganhou significância neste ano.

É a maior proporção de respondentes dentre uma série de motivos pelos quais as companhias e investidores buscariam fusões e aquisições em 2017. Em segundo lugar, aparecem empatados os temas “assegurar capital para projetos com vendas de ativos” e “melhorar      a estrutura de capital e a liquidez com vendas de ativos”, com 16% – dois temas recorrentes desde que o preço do petróleo começou a desabar.

“É uma tendência para o futuro”, explica Sergio Eminente, diretor da consultoria para o setor no Brasil.    “O negócio principal vai continuar sendo a exploração e produção de petróleo, mas já começa a se  desenhar o desejo de trocar matriz fóssil por elétrica, energias mais limpas. Como se preparar para    investir nisso?”

Se for levado em conta que outra questão com alta importância no estudo é a de vendas de ativos para levantar fundos, talvez haja até troca de portfólio – mesmo que ainda tímida. Os agentes do mercado também estão em busca de novas capacidades, como, por exemplo, o uso de processos digitais. Dos entrevistados, também 16% viram esse tema com maior relevância em 2017.

O estudo da A.T. Kearney mostra que o ritmo de fusões e aquisições em petróleo e gás atingiu seu maior ritmo desde 2014 durante 2017. Naquele ano e no seguinte, depois que a cotação do barril do Brent foi      de US$ 112 para US$ 57, diversas transações foram canceladas. Segundo o levantamento, operações valendo até US$ 106 bilhões foram completamente abandonadas em vista da falta de perspectiva de estabilização dos preços.

“Agora,  parece  que  há  mesmo  um  reequilíbrio  de  oferta  e  demanda.  Não  temos  nenhuma  projeção formal, mas trabalhamos com um cenário de preços entre US$ 40 e US$ 50 daqui para frente”, diz o    diretor da consultoria. “A curva de desaceleração do consumo de petróleo provavelmente não será muito rápida.”

O cenário mais pessimista é do “think tank” do setor RethinkX, que prevê pico da demanda mundial em 2020.  Já  as  gigantes  produtoras  veem  fôlego  até  a  década  seguinte.  A  britânica  BP,  por  exemplo, acredita que o pico chegará só após 2040.

No levantamento, a A.T. Kearney mostra que os grupos que aparecem com mais interesse neste ano para buscar  ativos  são  fundos  soberanos  e  de  participações.  Pelo  menos  metade  dos  fundos  de  “private equity”  acredita  que  vai  adquirir  mais  em  2017.  Já  as  gigantes  multinacionais  do  setor  e  as independentes maiores voltam ao mercado atrás de um processo de consolidação.

“Os fundos de private equity, inclusive, já estão olhando mais para toda a cadeia, depois de focar mais em transporte [uma área menos afetada pela queda dos preços]”, comenta Eminente. “O retorno dos projetos é maior e mais garantido, então eles buscam entrar, embolsar esse retorno e depois sair do negócio.”

O Brasil deve se beneficiar dessa maior disponibilidade de capital e da percepção de estabilidade no setor, opina o diretor da A.T. Kearney. Mesmo a crise política ainda dando sinais de ida e volta, ele acredita que os investidores já entenderam que não haverá uma ruptura grande na economia de uma hora para a outra. O grande teste da atratividade – e de quão estável se vê o país – serão a segunda e terceira rodadas do pré-sal, marcadas para sexta-feira.

Mas se empresas estão olhando mais atentamente o mercado para voltar às compras, o especialista aposta que não há como deixar de lado a grande preocupação dos últimos anos: o enxugamento das operações, para serem mais eficientes. “Petróleo é um investimento de tiro muito longo. Se quiser intensificar ganho de receita ou corte de custo, a companhia tem de arrumar a casa”, diz Eminente.

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Sobre Discussões Histéricas

Jesus transexual qualquer um faz. Que tal uma peça de Maomé transexual?

luiz felipe pondé – 23/10/2017

 

O mundo em rede mostra sua cara: uma epidemia de histeria. Não posso deixar de achar engraçado grupos culturais à esquerda ficarem histéricos com a também histeria de grupos “defensores” dos bons costumes, provavelmente mais à direita, acerca de algumas manifestações artísticas nos últimos tempos no Brasil.

Ouvir alguém à esquerda falar em “defesa da liberdade de expressão” na arte só pode ser má fé ou falha de memória depois da invenção do politicamente correto. O que há de “novo” nesse debate histérico acerca de nudez, “Jesus transexual”, e “Queermuseu” é o fato de que, agora, quem se levanta contra a liberdade de expressão são grupos à direita do espectro político.

A direita aprendeu a usar o Ministério Público pra suas manifestações de autoritarismo. A esquerda tem espancado a liberdade de expressão há anos com suas intervenções em nome de um mundo melhor. Não tem nenhuma moral pra reclamar da “nova censura” praticada pela direita, depois dela, esquerda, ter exercido tanto sua “velha censura” politicamente correta.

Os eventos iluminam muitos aspectos, para além do que dominou o debate na maior parte do tempo: a censura moralista x a arte “libertária”. Para quem olhar pra nossa época com as lentes do ridículo, vivemos num mundo rico em fenômenos antropológicos.

Com a história do pelado do MAM, logo passamos a debater o comportamento dos pais: seria a mãe a “culpada” da história? Caberia a suspensão por tempo limitado do seu poder familiar? Entregaríamos a criança ao “lindo” Estado? O que é esse “lindo” Estado? Burocratas teóricos babando pra exercer seu poder moral sobre os cidadãos indefesos.

Com relação aos pais, suspeito que nunca caminharam sobre a Terra adultos menos capazes de lidar com crianças. Ao mesmo tempo em que educam seus filhos para um mundo irreal em que nunca haveria guerras, ódios (bastando aprender a abraçar árvores nas escolas e a ver no “outro” sempre gente legal disposta ao “diálogo”), entram em pânico com tudo, filmando cada centímetro de ar respirado pelo filho.

Projetam neste infeliz a pessoa evoluída que eles, os pais, acreditam que são no fundo das suas almas. Consultam especialistas e a internet pra saber o que significa cada ruído emitido pela criança.

Fôssemos nós, sapiens contemporâneos, no alto paleolítico, os neandertais teriam levado a melhor.

Não é à toa que grande parte dos mais jovens dizem não querer ter filhos. Estamos, passo a passo, assumindo nossa incapacidade para cuidar dos mais jovens, apesar da histeria toda e da falação sobre crianças.

Aliás, essa falação é indício já da nossa decisão silenciosa: se as crianças nos cansam tanto, melhor não tê-las.

Outro detalhe “colateral” desses fatos é o horror que causa a manifestação do “povo” sempre que aparece. Os inteligentinhos, em seu mundinho feito de pessoas bacanas como eles, detestam o moralismo barato do povo comum.

A maioria das pessoas não entendem a razão de um cara adulto ficar pelado em público. E, quando alguém vai tentar explicar, se enrola todo em conceitos superabstratos que se afastam do português dos mortais.

Aliás, ficar pelado em público é coisa ultrapassada mesmo. Só choca quem quer fazer tipo. Erotismo não é, mesmo. Erotismo tem mais a ver com o corpo coberto do que nu. Os idiotas ocidentais se esqueceram disso.

Toda vez que “o povo” fala, ficamos chocados com sua moral “tacanha”. O povo acha que criança não deve ver gente pelada, que Jesus é homem mesmo, e coisas afins.

Sobre o “Jesus transexual”, teria uma coisinha a acrescentar. Lembro-me que, na época do massacre na Charlie Hebdo, muitos inteligentinhos, que agora ficaram horrorizados com os cristãos que gritaram contra seu herói ser representado por um transexual, afirmarem que devíamos respeitar os sentimentos dos muçulmanos.

Pois então. Que tal montarem uma peça com um Maomé transexual? Teriam eles coragem de fazer isso? Como reagiria a comunidade islâmica brasileira e a mundial?

Minha aposta é que não teriam coragem. O traço marcante do inteligentinho é a “coragem de salão”.

 

 

Coerência ideológica é uma quimera

vinicius mota – 23/10/2017

 

Pense em dois extremos teóricos para explicar a formação dos grupos de opinião que se atritam na sociedade. Caminha-se de um polo ao outro conforme a influência das ideias na atração dos militantes vá desaparecendo. A coerência lógica do ideário faz o mesmo percurso: é perfeita na saída e aleatória na chegada.

Ao observador cético desses choques já está claro, faz tempo, que estamos bem mais próximos do segundo limite que do primeiro. Não lhe causa estranheza que grupos emergentes de jovens autodeclarados liberais se engalfinhem em cruzadas carolas contra exposições artísticas.

Do outro lado, sugere-se um riso cínico como reação contra quem se agarra ao princípio da liberdade de expressão para se defender. Esse flanco também professa o “controle social da mídia” no Brasil, cala sobre o liberticídio em Cuba e na Venezuela e coonesta o dirigismo estatal na cultura se a turma certa estiver no poder.

O fenômeno é mundial e vem de longe. A direita americana, a partir de Ronald Reagan, associou liberalismo econômico com extremo conservadorismo nos costumes. Agora dispensou o primeiro elemento e virou nacionalista. Defende, como a esquerda brasileira, política econômica agressiva para proteger indústrias locais.

A esquerda nos EUA se põe a derrubar estátuas de líderes sulistas da guerra civil finda há 152 anos. Favorece a liberdade desde que o palestrante não seja da identidade errada. Aí parte para o escracho.

É obsessivamente a favor do aborto, mas fanaticamente contrária à pena de morte. O mesmo “progressismo” faz campanha para proibir o cigarro, caso seja de nicotina, e para liberá-lo, se for de maconha.

Direita e esquerda, a depender dos clubes, agora concordam que há uma conspiração de banqueiros mundiais. A primeira diz que é para corromper os valores da família. A segunda, que é para sufocar a sublevação dos povos oprimidos.

 

O Etanol e o Carro Eletrico

Usinas já veem oportunidade com carro elétrico

Por Camila Souza Ramos e Marli Olmos – 19/10/2017

 

Já faz quase quatro décadas que o Brasil usa o etanol como alternativa aos combustíveis fósseis. Agora, essa mesma busca por meios de transporte menos agressivos ao ambiente começa a levantar dúvidas sobre o futuro do biocombustível. O adversário é o carro elétrico, que ameaça a cadeia de fornecimento de combustíveis ao usar motores movidos a baterias em vez dos tradicionais a combustão. A briga no Brasil pode demorar. A expectativa, entre analistas do setor, é que só daqui a 12 anos os veículos a eletricidade terão uma presença consistente no país. Mas a indústria sucroalcooleira, que vendeu R$ 45 bilhões em etanol na safra 2016/17, já estuda estratégias para não ficar fora do jogo. Uma das esperanças é participar do desenvolvimento dos carros movidos a célula de combustível.

Ao contrário do que ocorre em outros países, o governo brasileiro não sinaliza com programas de incentivo para aquisição de modelos elétricos. Isso pode dar uma sobrevida aos motores a combustão. Mas, como aos poucos as montadoras vão abandonar essa tecnologia, as previsões indicam que por volta de 2030 o elétrico será comum também no Brasil.

Num futuro mais distante, porém, a eletrificação da frota pode incluir o etanol caso o desenvolvimento       do automóvel movido a célula de combustível avance. Nesse tipo de carro, que substituirá o elétrico com baterias, o “combustível” é o hidrogênio. O abastecimento de hidrogênio poderá ser num posto – mais complicado e caro – ou a partir de outro combustível. Uma reação química gera energia no próprio carro.

A boa notícia para os usineiros brasileiros é que, segundo o engenheiro Henry Joseph Jr, diretor técnico    da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), testes nesses modelos já comprovaram que o etanol rende mais que gasolina ou gás. Além disso, esses veículos terão a vantagem    de aproveitar a atual rede de distribuição, além de emitir menos gases de efeito estufa.

Mas, segundo Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, mesmo nos países mais desenvolvidos, o carro movido a célula de combustível não estará disponível em menos de 15 anos.

Fora do Brasil, a Nissan já testa veículos movidos a célula de combustível usando etanol. Segundo a empresa, com o derivado da cana, o veículo alcança mais autonomia. O carro testado utiliza entre metade e um terço da quantidade de etanol usado num a combustão com o mesmo combustível. A empresa promete, para 2020, a adição de 55% de água no tanque, o que reduzirá ainda mais a necessidade de etanol.

No Brasil, espera-se também que o automóvel híbrido anteceda a chegada do elétrico. Para a presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, os híbridos podem tornar o biocombustível uma “tecnologia de transição” para a eletrificação. Já vendido no Brasil, o híbrido tem dois motores. O que funciona com combustível gera a energia necessária para o elétrico entrar em ação quando o trajeto é de baixa velocidade, como nos centros urbanos.

A Toyota já demonstrou interesse em produzir híbridos movidos a etanol no Brasil. “É fácil converter o motor a gasolina do híbrido para etanol”, afirma Joseph Jr. Nos bastidores, sabe-se que o setor tem a expectativa de receber incentivos fiscais para colocar o projeto do híbrido com etanol em prática.

Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersuca r, concorda que haverá uma evolução tecnológica em 10 a 15 anos. Ele estima, entretanto, que qualquer mudança demorará para provocar impacto no conjunto da frota brasileira. “Somos um país pobre”, diz. Sem estímulos à renovação, os carros eletrificados conviverão com os velhos movidos a combustão por muitos anos.

É certo, porém, que a mudança deve impactar diretamente os investimentos das usinas, que já vêm à mingua há alguns anos. Pogetti lembra que qualquer investimento no setor sucroalcooleiro precisa de   um horizonte de ao menos dez anos.

Mas nem por isso o setor está imóvel. Fabio Venturelli, presidente do grupo São Martinho, lembra que    as usinas já operam em outros segmentos, como cogeração de eletricidade e açúcar. Segundo o executivo, há, ainda, espaço para outros derivados da cana, como plástico, vacinas e vitaminas. Mas, para ele, a substituição total da frota no Brasil por veículos elétricos é um cenário “utópico”.

Para o futuro dos grupos estrangeiros que vieram ao país, o cenário é distinto. A americana Bunge, por exemplo, já indicou que não pretende seguir no segmento por muito mais tempo. Já a chinesa Cofco,     está menos preocupada com as mudanças iminentes, dado que seu maior interesse está na produção de açúcar e em cogeração. “Etanol não é nosso foco”, diz Marcelo Andrade, presidente global de açúcar da Cofco.

A história do carro a etanol sempre foi marcada pela falta de competitividade em relação aos preços da gasolina. “O etanol oferece vantagem em relação ao elétrico se a geração da energia for numa termoelétrica. Mas o Brasil sempre patinou na questão do preço”, destaca Joseph Jr.

O primeiro carro a álcool no país foi produzido em 1979. Mas problemas com preço arruinaram o Proálcool na década de 1990. Mais tarde, em 2003, o etanol voltou a ganhar credibilidade com o surgimento do motor flex, que permite usar, no mesmo tanque, gasolina e etanol. Hoje, o derivado da cana representa mais de 30% do consumo de combustíveis no Brasil, incluindo a parte que é misturada à gasolina.

Enquanto a Volvo anuncia que todos os seus carros terão motor elétrico a partir de 2019, para alguns, o derivado da cana, assim como a gasolina e até o diesel, têm chances de continuar a mover os veículos numa fase de transição que tende a ser mais longa em certas regiões, como o Brasil ou em cidades europeias afastadas dos centros urbanos.

Para Ricardo Abreu, conselheiro da Associação dos Engenheiros Automotivos (AEA), cada país vai se adaptar conforme a disponibilidade de combustíveis. Entre 2019 e 2022, toda a linha de produtos da francesa Peugeot vai oferecer motores a combustão, híbridos e elétricos. “Cada país vai decidir como será sua transição; o ritmo da eletrificação não será o mesmo em todos os lugares”, destaca o presidente mundial da empresa, Jean Philippe Imparato. “Em Paris, por exemplo, você não poderá circular em carro daqui a dois anos se o motor não for elétrico. Mas o mesmo não vale para o sul da França, por exemplo”, completa.

“A eletrificação dos carros chegará um dia e isso não se discute. Mas o etanol merece uma discussão à parte”, afirma o presidente da Mercedes-Benz na América do Sul, Philipp Schiemer. “O balanço dos gases emitidos na geração de energia elétrica não é tão fantástico e o etanol no mínimo empata”. Para  ele, o etanol, é uma alternativa para o Brasil, “mas carece de ‘lobby’, de uma explicação melhor do seu potencial”.

Executivos e especialistas do setor sucroalcooleiro ressaltam também que uma adoção do carro elétrico a bateria no Brasil demandaria um investimento sem precedentes em infraestrutura de produção e   distribuição de energia.

Segundo Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, em 2016, a frota de veículos leves do Brasil consumiu em combustíveis o equivalente a 462 mil gigawatts-hora (GWh), enquanto o consumo por indústrias e residências foi praticamente igual, de 460 mil GWh.

Se a opção por híbridos ou movidos por células de hidrogênio for adotada no Brasil, as usinas poderão manter ou até ampliar presença no setor de energia, afirma Nastari. “No longo prazo, é provável que o aumento da demanda por etanol e bioeletricidade seja maior que por açúcar”, destaca.

A Volkswagen planeja importar o Golf elétrico da Alemanha. “Mas antes temos que ter absoluta certeza  de que haverá estações de carregamento”, diz o presidente da Volks na América do Sul, Pablo Di Si. “O custo das baterias do elétrico caiu 70% nos últimos três anos. Mas ainda há, no mundo, fortes subsídio  para esse tipo de veículo. Por isso, os modelos flex continuarão por um bom tempo”, destaca Di Si.

Os principais centros de engenharia de veículos já começam a abandonar o desenvolvimento de motores      a  combustão.  Ao  mesmo  tempo,  tecnologias  para  um  futuro  mais  longo  abrem  espaço  para  a sobrevivência do etanol. A questão é saber o quanto da atual infraestrutura brasileira dedicada ao abastecimento veicular será necessária.

Reinações de Rodriguinho

Um homem forte na sucessão de 2018

Por Rosângela Bittar – 18/10/2017

 

Um grupo de políticos, mais da metade constituído por aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), envolvido na formulação de uma chapa para a sucessão presidencial, almoçou nesta segunda- feira com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, no Bandeirantes. À mesa sentaram-se Heráclito Fortes (PSB), Rubens Bueno (PPS), Jorge Bornhausen (sem partido, ex-DEM), Roberto Brant (DEM), Benito Gama (PTB), Pimenta da Veiga (PSDB), entre outros que não foram citados. A conversa, embora genericamente definida como “situação do Brasil”, chegou a algumas conclusões concretas.

Para aquele grupo, como João Doria (PSDB) não é mais candidato, chegou o momento de agir de forma mais objetiva, definindo claramente pelo menos uma das chapas na sucessão presidencial de 2018. A     razão  de  afastarem  Doria  do  espectro  sucessório  foi  sua  entrevista,  dada  em  Milão  e  publicada,  na mesma segunda, por “O Estado de S. Paulo”. Ao analisá-la, consideraram que o prefeito “jogou a toalha”. Assim sendo, chegou o momento da candidatura Alckmin.

Essa  resolução  inclui  apenas  uma  das  hipóteses  de  futuro  político  em  que  aposta  o  presidente  da Câmara,  Rodrigo  Maia.  Para  quem  está  fora  das  articulações,  da  conspiração  –  por  que  não,  eles detestam dar essa impressão, mas é óbvia -, não se compreende o que quer Rodrigo Maia, ora ao lado do presidente Michel Temer, ora o atacando, absolutamente reativo, mercurial e até às vezes juvenil.

Desde ontem, porém, Maia vestiu um novo figurino, mais de acordo com suas variadas chances de poder político. Uma delas, a primeira em três opções, é a Presidência da República.

Na hipótese de o Ministério Público ter sucesso com a denúncia contra Michel Temer, Rodrigo Maia assume o cargo de presidente da República. Isso lhe abre duas opções de poder político: ser candidato à reeleição, em 2018, o que é mais difícil de alcançar, ou ser candidato a vice-presidente na chapa de   Geraldo Alckmin.

As conversas do almoço de segunda-feira foram mais amplas e não chegaram a definir cargos ou chapas fechadas, mas as soluções ficaram latentes.

No período em que assumisse para completar o mandato de Temer, Maia faria correções de rumo no governo, no Ministério e em um conjunto de “procedimentos”, como se definem os métodos e meios na sua equipe de conselheiros.

A segunda hipótese, também de assumir o Executivo, seria Temer permanecer, embora um pouco mais fraco – o cálculo no grupo é que teria nesta segunda denúncia menos 40 votos do que teve na primeira — mas de qualquer forma levando seu mandato até o fim. Em 2018 Rodrigo Maia poderia tanto ser    candidato a presidente, pelo novo DEM, como também vice-presidente de Alckmin.

A terceira saída para Maia seria pela via do Legislativo, a menos ambiciosa porque já está na mão: candidata-se a deputado e disputa a presidência da Câmara, onde comanda um poder com força nos dois primeiros anos do novo governo e novo presidente da República, a quem teria apoiado na campanha.

Nessa hipótese, as vitórias de Maia são hoje previsíveis, devido ao apoio que conseguiu reunir na Câmara, embora a renovação esperada seja devastadora.

Qualquer desses caminhos, pelos quais não é necessário optar agora, mas estão bem amarrados, exige distanciamento prudente de Michel Temer, do atual governo e, sobretudo, de embates temperamentais que o façam perder as vantagens agora constatadas. Ou seja, Maia não pode errar.

As duas primeiras condições Maia as atende, facilmente. Mas a terceira… O problema de Rodrigo é seu temperamento. Os amigos tentam evitar que entre de cabeça em discussões tão ácidas quanto inúteis, deixe de lado a nervosia, mantenha o controle da resposta, transfira alguns embates com o governo para os aliados. A maioria das brigas de Maia são incompreensíveis para os mais racionais por isso: ele encrespa a pele sem razão. O problema agora é colocar radar em todos os lugares para não deixá-lo sem monitoramento.

Outra recomendação: evitar, de qualquer maneira, a volta do tema da traição, do quinta coluna, do conspirador. Preferem chamar esse conjunto de sentimentos ruins de “insatisfação”, e essa está grande e forte na Câmara, especialmente entre os mais fiéis a Maia, embora não consigam também ligar o nome à pessoa e dizer insatisfação com o que.

Depois de três semanas de tensão, ameaças veladas e, sem medo da palavra, conspiração, Rodrigo Maia ontem deu uma entrevista para declarar sua imparcialidade, cancelar viagem ao Chile durante a votação     da denúncia e exaltar o seu respeito ao presidente da República. Só não fez reconhecer que alguém, sob   seu comando, publicou irregularmente no site da Câmara a delação do doleiro Lúcio Funaro, contra   Temer, que estava sob sigilo decretado pelo STF. Essa “defesa” dos seus funcionários os ofendidos   tiveram que engolir.

Temer, por sua vez, foi a um almoço com rodriguistas, na casa do maior deles, Heráclito Fortes. Foram muitos movimentos da terça em desdobramento do almoço do Bandeirantes e precedidos de um jantar,     na segunda, e um café da manhã, na própria terça, encontros nos quais a nova ordem foi detalhada e digerida por Maia.

Que precisa criar um discurso, um projeto de governo, reunir apoiadores no mercado financeiro, empresários amigos e um partido forte para entrar como protagonista, ao lado de Alckmin (o mais provável) ou não, na sucessão.

Maia não fará força para tirar Temer. No seu grupo afirma-se que não é hora de pular do barco, pois    ainda não há outro construído e podem cair no mar. Mas se Temer sair, ele é o favorecido. Rodrigo vive hoje a mesma situação que o presidente viveu há um ano, com vantagem. Temer não tinha as opções de futuro à disposição de Maia.

O time de Rodrigo Maia extrapola o grupo que esteve com Alckmin e inclui: Jovair Arantes (PTB-GO), Alexandre  Baldy  (PTN-GO),  Fernando  Monteiro  (PP-PE),  Pauderney  Avelino  (DEM-AM),  José  Carlos Aleluia (DEM-BA), Efraim Filho (DEM- PB), Paulo Azi (DEM-BA), Heráclito Fortes (PSB- PI), Evandro Gussi  (PV-SP),  Orlando  Silva  (PCdoB-SP),  Elmar  Nascimento  (DEM-BA),  Rubens  Bueno  (PPS-PR) Benito Gama (PTB-BA).

 

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras E-mail: rosangela.bittar@valor.com.br

O Contexto e as Alternativas

A farinha do prefeito

17/10/2017

 

SÃO PAULO – Pegue comida quase estragada, moa-a até compor um farelo em que todos os elementos se tornem irreconhecíveis e dê para os pobres. Com essa descrição, acho que até a mulher do prefeito João Doria ficaria contra o composto alimentar que o alcaide pretende distribuir a famílias em dificuldades econômicas em São Paulo. Resta saber se essa é mesmo a melhor descrição.

Humanos gostamos de pensar as questões que nos são apresentadas em termos abstratos e recorrendo a tipologias essencialistas, nas quais expressões como “estragado”, “comida irreconhecível” e “para os pobres” tendem a se sobressair, praticamente definindo o juízo de valor que extrairemos. Muitas vezes, essa abordagem purista é válida, mas nem sempre.

Especialmente quando falamos de políticas públicas, é preciso considerar o contexto e as alternativas. Para que famílias a tal da farinha doriana se destinaria? Por quanto tempo seria utilizada? Como essa família está se alimentando hoje? A prefeitura tem estrutura e orçamento para adotar um programa que inclua alimentos “in natura”?

Sem ter pelo menos uma ideia das respostas a essas perguntas, parece-me precipitado condenar a farinha em termos absolutos como muitos vêm fazendo. É claro que Doria, que pode ser descrito como um mestre do improviso, obcecado pela Presidência e que se pauta apenas pelo marketing, não ajuda ao esconder os detalhes do programa.

Meu argumento é, no fundo, simples. Se a farinha do prefeito for segura e evitar que famílias recolham comida do lixo, pode ser uma boa alternativa. Se ela tiver um valor nutricional maior do que o dos alimentos que essa família consegue adquirir hoje por conta própria, idem.

E, antes que leitores de esquerda imprequem contra mim, lembro que esse é um conceito muito semelhante ao da redução de danos em drogas, que é aplaudido por nove entre dez progressistas.

 

Atenção:

As novas regras para o PGBL e VGBL

Por Ivy Cassa – 17/10/2017

 

Recentemente foram publicadas duas normas que atualizaram o regramento de conhecidos produtos de previdência privada do mercado brasileiro: o PGBL e o VGBL. Além disso, trouxeram novidades para o investidor de longo prazo.

O primeiro, com quase 20 anos de criação, voltado para pessoas que declaram o Imposto de Renda no formulário simplificado e que são vinculadas a algum regime de previdência social, trouxe naquela época maior estabilidade para as seguradoras e entidades abertas que, até então, trabalhavam com produtos que garantiam rentabilidade.

Seus antecessores, que traziam consigo anexas promessas de pagamento de IGPM + 6% mesmo na fase de acumulação (viáveis em um período de características econômicas bem diferentes da revolução causada pelo Plano Real), foram substituídos pelo Plano Gerador de Benefício Livre, que dava ao investidor a rentabilidade obtida pelo Fundo – positiva ou negativa, mas diminuindo o risco de crédito da seguradora ou entidade.

O segundo, VGBL, que ainda não atingiu sua maioridade no mercado, pois foi criado em 2002, foi a tábua de salvação para atingir a grande maioria do público que hoje investe na previdência privada: pessoas que não necessariamente se encaixam no perfil do PGBL (grande parcela que declara Imposto de Renda no formulário simplificado), ou que excedem os limites legais estabelecidos para poderem gozar das vantagens fiscais que o seu par proporciona.

O VGBL, que veio travestido de “seguro”, acabou ganhando tanta expressividade que hoje representa mais de 90% do setor e acaba cumprindo outras funções, muitas das quais, não raro são controversos, tais como “blindagem” de patrimônio e planejamento sucessório.

Mas uma questão é inegável: tanto Ps quanto Vs, ou ainda os outros planos da família de um de outro (os tais PRGPS, PRSAs, PAGPs, PRIs, VRGPS, VRSAs, VAGPs, VRIs) cumprem relevantíssima função no momento atual: as gerações cuja expectativa de vida cresce em progressão constante necessitam de mecanismos de proteção financeira.

As normas recentemente publicadas, duas Resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), nº 348 e 349 incrementaram a sopa de letras já existente: agora, há também o PGBL Programado, que oferece a possibilidade de contratação, durante o período de diferimento, de pagamentos financeiros programados, e o PDR, que apresenta, na fase de acumulação, garantia mínima de desempenho, e a reversão, parcial ou total, de resultados financeiros. Para cada P, ainda, há um plano V espelho: VGBL Programado e VDR.

As resoluções inovaram ainda em pelo menos dois pontos relevantes para os poupadores de longo prazo: houve a inclusão do conceito de participante qualificado, abrangendo investidores profissionais, ou seja, pessoas com investimentos superiores a um milhão de reais, ou aprovadas em exames de qualificação técnica, ou clubes de investimento, observados os requisites estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Era comum haver o pleito por um tratamento diferenciado de tais categorias, o que, com a inclusão feita, ficará mais atrativo para esse grupo.

Em segundo lugar, outro aspecto que pode aproximar os investidores dos planos de previdência privada é a possibilidade que se abriu de transformação de parte da reserva acumulada em renda ou pagamentos financeiros programados em função da expectativa de vida do participante. Antes, se o participante optasse pela conversão da sua reserva em renda e falecesse sem escolher pela reversão dessa renda a um beneficiário, nenhum valor seria devido aos seus herdeiros. Isso acabava fazendo com que as pessoas usassem os planos de previdência privada mais como poupanças do que “previdências”. Com essa novidade, o plano adquire um caráter “misto”, atendendo ambas as finalidades.

A Mãe Previdência Social brasileira dá sinais de doença. Às vezes, manca. Há quem diga que rasteja, não salta mais. A Mãe Canguru talvez não tenha condições de sustentar filhos que trabalham dos 20 até os 60 e, resistentes, podem viver até os 110, irrompendo a lógica dos números, até mesmo para os maiores especialistas em finanças.

Ainda há muito a ser feito: mais do que criação de produtos ou inclusão de novas letras nessa sopa. Há mais de década aguardamos a chegada de um tal de “VGBL saúde”. Sonhamos com uma tabela regressiva de Imposto de Renda que chegue até a alíquota zero. Pleiteamos a isenção do ITCMD em todos os Estados, sempre que o plano de previdência privada for utilizado com sua verdadeira finalidade social – sem distorção do sentido.

Mas se espera que a publicação das novas normas atraia investidores, atenda a alguns daqueles antigos anseios e sirva de estímulo para o fortalecimento do setor. Por meio de um mercado sólido e com produtos atraentes, alguns dos filhos supercentenários carentes poderão assinar sua declaração de independência, ao invés de continuarem carregados no marsúpio da Mãe Previdência Social doente.

 

Ivy Cassa é sócia na Petraroli Advogados Associados

 

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações

Vale a leitura:

Passando o bastão para a próxima geração

Por Roger Stutz17/10/2017

 

As próximas gerações, como a dos millenials, muitas vezes têm expectativas diferentes quando o assunto é a gestão de um negócio, e nem sempre compartilham a mesma visão do antecessor, geralmente os pais. Uma comunicação clara é, portanto, essencial.

Muitas vezes, há pressão sobre os dois lados para definir as expectativas corretas e uma transição de sucesso para uma nova fase da vida. Além disso, há inúmeras implicações de riqueza e planejamento tributário a serem consideradas antecipadamente, e é por isso que o planejamento com tempo é fundamental para assegurar uma troca de bastão harmoniosa.

Na minha experiência, existem seis questões que devem ser analisadas pelos envolvidos para se certificarem de que o “bastão comercial” será passado de forma rápida e eficaz:

 

Quais são as nossas expectativas? Se você é um sucessor potencial, pode se perguntar se este é o caminho certo para você ou se está pronto para o desafio. Talvez sua visão para o negócio seja diferente da de seu antecessor. Se você é o proprietário atual de uma empresa, pode querer continuar a desempenhar um papel no negócio, ou pode ter dúvidas sobre as mudanças que seu sucessor gostaria de implementar. Os sucessores do milênio, por exemplo, tendem a colocar maior ênfase na tecnologia e na profissionalização das operações comerciais.

Essa mudança de estilo de gerenciamento poderia ser motivo de preocupação para os outros no negócio. Para garantir que ambos os lados compreendam os problemas em questão, é fundamental se comunicar abertamente e honestamente, e continuar a fazê-lo por toda parte – e também depois – da transferência. Isso ajudará o negócio a ter sucesso no longo prazo.

 

Um teste faria sentido? Transferir um negócio de uma geração para a próxima é uma grande mudança para todas as partes envolvidas. Antes de mergulhar de cabeça, trabalhar em uma série de curtos períodos no negócio pode ajudar o sucessor a descobrir se este é realmente o passo certo ou não. Com isso, terá a oportunidade de ver o que está em jogo e para onde o negócio está indo.

A experiência também pode ajudar o dono atual a decidir se o momento é bom para entregar o negócio. Sucessores em potencial também podem se beneficiar da experiência fora do negócio familiar, criando suas próprias visões profissionais objetivas e aprendendo como outras empresas são geridas.

 

Que estrutura de negócio funcionará para nós?

Quando ambos os lados já deixaram claras suas expectativas, é hora de pensar sobre a estrutura do negócio e estabelecer papéis e responsabilidades. Essa decisão geralmente é guiada pela visão, expectativas e capacidade dos envolvidos. Por exemplo, em que medida o dono atual deseja estar envolvido no futuro? Além disso, antes de passar o negócio, o proprietário atual pode querer limpar operações ou dispor de ativos e atividades comerciais não essenciais, e é importante definir claramente esses detalhes.

 

Qual é a situação fiscal do negócio? Quando uma empresa é transferida de uma geração para outra, o planejamento tributário de longo prazo é um componente importante. Consultores fiscais locais com conhecimento e experiência devem ser contratados para uma análise holística dos envolvidos (como empresário existente, sucessor, acionistas). Embora essenciais, as considerações fiscais não devem ofuscar os objetivos profissionais e pessoais dos envolvidos e sua visão para o negócio.

 

Como o antecessor será apoiado no futuro? Depois de dedicar um tempo e um esforço consideráveis para a construção de um negócio bem sucedido, o proprietário existente quer garantir uma aposentadoria bem merecida que atenda suas expectativas.

Ambas as partes devem pensar sobre os acordos que possam querer implementar para assegurar um rendimento contínuo  para a pessoa que entrega o negócio. Aumentos de retiradas pessoais do negócio ou dividendos podem ser opções, dependendo de onde você está. É importante trabalhar com especialistas que possam conceber a melhor solução possível para suas necessidades, apetite por risco e planos.

 

Quem mais poderia ser afetado por essa transferência? Há outros herdeiros a serem considerados? Talvez apenas um filho deseje manter o negócio familiar, mas irmãos ou um cônjuge podem ter direito a receber algum benefício. Por exemplo, um membro da família pode desejar sua parte em dinheiro.

Garantir esses direitos com antecedência é essencial para manter a viabilidade do negócio. Várias opções são viáveis, dependendo da sua localização e das obrigações legais locais.

Certifique-se de trabalhar com um consultor confiável que pode guiá-lo através do processo, como a família ou o advogado da empresa.

A criação de um acordo de acionistas pode ser outra maneira de gerenciar os interesses das partes envolvidas. Esse tipo de acordo estabelece regras de jogo claras, ajuda a evitar conflitos e protege os interesses de todas as partes envolvidas.

Saber como e quando passar o bastão nunca é fácil. Ao considerar cuidadosamente estas seis perguntas, e tomando o conselho de especialistas em sucessão, líderes empresariais atuais e futuros podem pensar nessa passagem com maior confiança.

 

Roger Stutz é chefe de planejamento de fortunas do Julius Baer

 

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