FT Wealth Report

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A vida não está fácil

A clause in Donald Trump’s new travel ban could cause problems for all visitors

Exiting America might become as much of a hassle as entering it

Mar 9th 2017 by A.W.

 

IF YOU are an Iraqi, or a Syrian refugee, President Donald Trump’s new travel ban will seem like an improvement over the old one. But a little-noticed clause in the measure could make travelling to America a much greater hassle, even for people carrying passports that spare them the toughest restrictions, such as Europe and Asia.

The major provisions of the updated executive order, which Mr Trump signed on March 6th, have been well publicised. The decree will once again face swift legal challenges but, if it survives, citizens of six majority-Muslim countries will still be barred from entering America for the next three months. Iraqis, though, will now be exempt from the ban and the indefinite exclusion on Syrian refugees has also been lifted, once a 120-day period has expired.

However, the Daily Beast spotted a provision on the collection of biometric data. The issue is not actually new. After the 9/11 attacks, Congress passed a law mandating the collection of such things as fingerprints and photos from all travellers into and out of America. But that law was never fully carried out. While customs collects biometric information from people entering the country, it doesn’t do so when they leave.

That may now change. Sandwiched between sections on thwarting terrorists and tightening visa interviews is one that calls for “Expedited Completion of the Biometric Entry-Exit Tracking System.” The section directs the secretary of homeland security to complete and implement biometric tracking for “in-scope travelers,” which as Gary Leff, an air travel expert, explained to the Daily Beast, probably means all non-citizens entering or exiting the country.

That would be a time-consuming hassle. Before boarding their flights, these visitors would have to queue up at an additional security line. It would be even worse for people making connecting flights. For example, a British national on a business trip to Washington, DC, might have to connect through Philadelphia en route to Heathrow. But upon arrival in Philly he would probably have to leave the security area, join the biometric data queue, before going back through security. If the first flight were delayed or the layover brief, he would be at real risk of missing his second flight.

All of this inconvenience, of course, pales in comparison to that experienced by people who can’t travel to the United States at all as a result of the ban—those unable to visit their families, make work trips or seek refuge from dangers at home. Nor is it necessarily problematic if it serves a greater good: flyers were willing to put up with tremendous new inconveniences, from removing their shoes to checking the size of their toothpaste, in the interest of security after 9/11. But it is not at all clear that this new measure will have significant security benefits. Studies have shown that most jihadist terrorists in America are United States citizens or legal residents.

Instead, collecting biometric data upon exit seems more targeted at helping America track people who have overstayed their visas—which is why it is something that has been pushed by groups that want to crack down on undocumented immigrants. Within the realm of American politics, that’s an active debate. But to a Frenchman or a Brit simply hoping to return home after a business trip, it might seem a poor excuse for a missed flight.

Then again, now that the European Parliament has passed a non-binding recommendation to reintroduce visas for American visitors, this may feel to some on this side of the pond more like sweet revenge.

Leitura complexa. Vale a pena!

Hannah Arendt, 110 anos

O tempo confirmou como são fecundas as trilhas abertas pela reflexão arendtiana

Celso Lafer, 20 Novembro 2016

 

Decorridos 110 anos do nascimento de Hannah Arendt, existe generalizado consenso, nos mais diversificados quadrantes culturais, sobre a importância e o significado da sua reflexão para o entendimento e análise do mundo atual. Por isso se pode dizer que ela adquiriu o status de um clássico, cuja obra nunca termina de dizer aquilo que tem para dizer, para recorrer à formulação de Italo Calvino. Daí o número crescente de livros dedicados à sua obra que adensam anualmente, a partir de distintas perspectivas, a bibliografia arendtiana.

Em 1965, quando tive o privilégio de ser seu aluno na Universidade Cornell, não existia tal consenso. Ela era então personalidade intelectual conhecida, mas controvertida.

Seu grande livro de 1951, Origens do Totalitarismo, tornou-a figura pública de destaque intelectual. Nessa obra, identificou no totalitarismo um inédito regime político, voltado para a dominação total, distinto das conhecidas figuras do despotismo, da tirania e da ditadura. Destacou a sua especificidade, apontando que se caracteriza pela ubiquidade do medo, instrumentado na organização burocrática de massas e sustentado pelo emprego do terror e da ideologia. Apontou igualmente que a operação dos campos de concentração, direcionada para o indizível da descartabilidade do ser humano, inerente à dominação totalitária, não obedecia a critérios de utilidade econômica e política, escapando assim do âmbito da tradicional categoria da razão de Estado, na qual a relação entre meios e fins é inerente à justificação do não cumprimento de princípios éticos.

Origens do Totalitarismo surgiu na guerra fria. Foi recepcionado com ressalvas e suspeitas pela esquerda, em especial a comunista, pois identificava não apenas no nazismo, mas também no stalinismo, uma modalidade de regime totalitário, assinalador das rupturas configuradoras da era dos extremos, a marca histórica do século 20.

Eichmann em Jerusalém (1963, 1964) gerou explícitas e mais acesas controvérsias, entre outras razões, pelo impactante conceito da banalidade do mal, explicativo da personalidade de Eichmann, que perpetrou sem parar para pensar o que significa o mal ativo de tornar seres humanos supérfluos. Como Arendt esclareceu, em carta a Scholem, só o bem é profundo. O mal que qualificou como banal não é radical, é extremo. Não tem profundidade nem dimensão demoníaca, mas pode proliferar e devastar o mundo inteiro precisamente porque se espalha como um fungo sobre a superfície da Terra, desafiando, pelas suas características, o pensamento e a compreensão.

Arendt, como se vê pela menção a esses dois livros, não era facilmente identificável no âmbito das disciplinas acadêmicas – Filosofia, Teoria Política, História – nem se enquadrava nos cânones políticos usuais: esquerda/direita, liberal/conservador. Como disse em 1972: “A esquerda pensa que sou conservadora; os conservadores, que sou de esquerda; e eu não me incomodo, pois entendo que as questões substantivas do século não serão iluminadas por esses rótulos”. Nas suas palavras: “I somehow don’t fit”. Ela não se enquadrava nos rótulos e estava à vontade com o que denominou a tradição subterrânea do pária consciente que elaborou, refletindo, por exemplo, sobre Heine, Bernard Lazare e Kafka.

Para ela, “o importante é compreender”, e para compreender o mundo do século 20, com suas rupturas e descontinuidades que se prolongam no século 21, é necessário pensar pela própria cabeça e disseminar, à maneira de Lessing, os fermentos do conhecimento provenientes desse empenho. Isso requer levar em conta a baliza da experiência, tendo em vista a fragmentação dos “universais” provenientes do hiato entre passado e futuro, que pôs em questão a pertinência da tradição do pensamento. Nessa moldura, elaborou os exercícios de pensamento político que singularizam os ensaios de Entre o Passado e o Futuro, seu primeiro livro publicado no Brasil.

Não por acaso, o tema do juízo, o entender o concreto de uma situação sem o apoio de regras gerais, permeia a sua reflexão. A esse tema ela não deu tratamento mais circunstanciado. Faleceu tendo discutido o pensar e o querer, sem iniciar a sua análise do julgar, que integraria A Vida do Espírito. Das indicações de suas aulas se verifica que, inspirada pela leitura da Crítica do Juízo, de Kant, no juízo reflexivo e raciocinante encontrou o seu caminho, pois esse tipo de juízo lida com o problema de como avaliar um particular, buscando o seu significado mais amplo, sem o lastro do determinante de prévias normas gerais. Daí a maneira como enfrentou o desafio de pensar “sem o apoio do corrimão” de conceitos gerais esgarçados pelas realidades contemporâneas. Seus alunos, entre eles Elisabeth Young-Bruehl, sua biógrafa, e Jerome Kohn, organizador de vários de seus livros póstumos e hoje seu testamenteiro literário, foram sensíveis ao deslumbrante e duradouro impacto dos fermenta cognitionis arendtianos. Ambos seguiram em 1968, em Nova York, na New School, a retomada do curso dado em Cornell em 1965, em que fui seu aluno, sobre “Experiências políticas do século 20”.

No curso construiu com uma multiplicidade de leituras (de textos históricos, políticos, romances, poesias) a narrativa da biografia imaginária de alguém que nasceu na última década do século 19, não estava à margem da História, mas não foi um ator protagônico, e reagiu à variedade de eventos que incidiram na sua vida e cujo destino, como tantos no século 20, foi conformado pela dinâmica da política. O curso, para os que o seguiram, nunca termina de dizer o que tem para dizer sobre a atualidade de Hannah Arendt.

O tempo confirmou de maneira generalizada como são fecundas as trilhas abertas pela reflexão de Arendt. Por isso se converteu num clássico, que preenche os requisitos desse atributo na formulação de Bobbio: 1) sua obra é uma interpretação esclarecedora do século 20; 2) instiga constantes e contínuas leituras e releituras; e 3) seus conceitos e formulações são heurísticos e reveladores para entender o mundo em que estamos.

Sobre os rumos da tecnologia

Sonho dos gurus da tecnologia é fazer da humanidade um parque de idiotas

luiz felipe pondé – 21/11/2016

 

Uma das áreas em que modismos mais fazem estrago é a educação. Mas, quem pensa que esses modismos vêm apenas do universo da autoajuda para serem usados nas escolas, se engana. As bobagens também vêm de lugares onde se reúnem pessoas inteligentes e competitivas e visam a universidade. Há uma nova bobagem no mercado das modinhas: o idiota da singularidade. O que é isso? Já te explico.

Sou um animal da academia. Adoro seu cotidiano. Dar aulas, para mim, é um pequeno pedaço do paraíso. Sim, critico muito a academia porque ela virou, em grande parte, um espaço para gente fazer (apenas) ascensão social via manipulação dos colegiados a favor de grupos de poder institucional, portanto, um antro da mais baixa política (o PMDB é ingênuo se comparado às baixarias de muitos colegiados).

Isso para não falar na burocracia infinita a serviço de uma produção quase irrelevante em termos do que as pessoas reais buscam no conhecimento. Dito isso, vamos ao que interessa hoje.

A nova bobagem é bem chique. Vem do Vale do Silício e vem temperada no velho argumento de que a universidade como conhecemos acabou. Veja: claro que mudanças ocorrem. Da Idade Média para cá, a teologia perdeu seu lugar máximo para diversas formas de conhecimento. E a ideia, defendida pelos gurus do Vale do Silício, de que a universidade pode ser menos burocrática e voltada para a criatividade dos alunos e professores, não é seu grande problema. Na verdade, concordo com essa ideia. Estimular a criatividade e a ousadia é bom. A besteira vem depois.

A modinha para bobos é que os gurus da “singularidade” (como se autodefinem) querem destruir a universidade para reduzi-la a “mera” técnica. Segundo eles, a criatividade deve ter apenas oito focos em mente: alimentar toda a população do planeta, garantir o acesso a água potável, educação para todos, serviços básicos de saúde, energia sustentável, segurança, cuidado com o meio ambiente e acabar com a pobreza.

Depois disso tudo, seremos felizes em nossas gaiolas. O sonho desses gurus é fazer da humanidade um parque temático de idiotas alegres.

Ingênuos talvez não vejam o engodo de uma ideia como essa. Esses gurus nunca devem ter lido o “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley e, portanto, não sabem que a perfeição técnica é inimiga da humanidade.

Só iniciantes na inteligência, ou gente que quer destruir a capacidade humana de pensar, imaginam que reduzir a universidade a uma oficina para deixar o mundo limpinho seja uma ideia nova ou a função do pensamento na espécie.

Há 17 mil anos, em Lascaux, na França, homens de Cro-Magnon (sapiens como nós) pintaram imagens xamânicas em busca de entender a si mesmos e ao mundo para além da tinta que usavam para pintar essas imagens. Logo, o homem de Cro-Magnon estava à frente dos gurus da singularidade: para estes, as tintas são tudo que importa.

O filme “A Guerra do Fogo” (1981), de Jean-Jacques Annaud, mostra na sua cena final o casal principal após “vencer” a guerra do fogo na pré-história, sentados ao lado do fogo, ela grávida, e ambos contemplando a barriga dela, e a Lua brilhando na vastidão escura do céu.

Nossos idiotas da singularidade provavelmente acham que, colocando uma luz de xênon no universo, resolveriam a questão presente nessa cena. A questão é: quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Qual nossa relação com o universo? Mesmo se você é niilista, essas questões continuam existindo.

Claro que ciência e técnica são essenciais. O erro desses gurus é achar que o problema todo da humanidade se resolve com um empreiteiro competente.

Mas nem tudo está perdido. Um representante de outro gigante do conhecimento nos EUA, o reitor do MIT, Rafael Reif, defende a relação entre alta competitividade em formação tecnológica e as humanidades, justamente porque, segundo ele, é nesse encontro das duas grandes áreas que se produz o aluno que eles buscam: pessoas raras e inquietas.

Espero que, aqui no Brasil, nenhum “empreiteiro da educação” embarque nesse novo modismo e tente fazer das universidades empresas de faxina.

ponde.folha@uol.com.br

Caminhos do Populismo

Aconteça o que acontecer, a vitória de Donald Trump está garantida

joão pereira coutinho – 08/11/2016

 

Peço desculpas ao leitor se estraguei o café da manhã. Mas o título não é uma previsão; é uma conclusão. Trump já ganhou, mesmo que perca. Porque o populismo vence sempre, mesmo quando não vence. Lição da história.

Nos últimos dias, entediado com tantos clichês sobre a corrida presidencial americana, procurei outras pastagens para os meus neurônios. E encontrei um livro recente de John B. Judis, intitulado “The Populist Explosion”, que merece leitura por qualquer pessoa interessada em política.

Como o título indica, é uma análise do populismo nos Estados Unidos e na Europa. Como explicar Donald Trump (e Bernie Sanders)? E como explicar a onda populista que varre Espanha, França, Itália, Áustria, Suécia etc. etc.?

Deixemos a Europa para uma próxima oportunidade. Fiquemos nos Estados Unidos porque a palavra –”populismo”– nasceu lá e só depois emigrou para a Europa (e, claro, para a América Latina).

Para Judis, o “populismo”, mais do que uma “ideologia”, é sobretudo uma “lógica política”: um confronto entre o “povo” e a “elite” em que o líder carismático defende o primeiro contra os alegados abusos da segunda. Trump é apenas o último capítulo de um fenômeno que sempre emergiu em situações de crise.

Essa história começa em finais do século 19, quando o entusiasmo do governo pelo “capitalismo laissez-faire” não era partilhado pelos agricultores do sul e das Grandes Planícies. Uma combinação de desastres naturais, monopólio ferroviário que cobrava forte pelo transporte dos produtos agrícolas e mão de obra barata (da China, do Japão, da Itália) levou à revolta dos trabalhadores nativos, representados pelo Partido Populista, contra a “oligarquia” dos dois partidos.

Exigências dos populistas: nacionalização da ferrovia; fim da imigração (sobretudo chinesa); maior poder para o governo na esfera econômica, de forma a proteger os mais vulneráveis.

O Partido Populista desapareceu com a nova centúria (foi absorvido pelos democratas de William Jennings Bryan). Mas a influência do populismo, à direita e à esquerda, continuou: com o republicano Roosevelt (Theodore) e com o democrata Roosevelt (Franklin).

Aliás, se existe uma lei na dinâmica populista é que ela, quando hiberna, deixa sementes que serão transplantadas para os partidos do sistema.

Escreve John B. Judis, com inteira razão, que Franklin Roosevelt não concedeu prioridade imediata às desigualdades econômicas provocadas pelo Grande Depressão ao ser eleito em 1932.

O Roosevelt do New Deal também se explica com o populismo de Huey Long, o político da Lousiana que, antes de ser assassinado, em 1935, era uma ameaça para os democratas ao defender taxação séria dos ricos e redistribuição de riqueza pelas massas. Roosevelt não desprezou esses argumentos.

Sabemos hoje que o New Deal se tornou a ideologia dominante durante quatro décadas. Pelo menos, até George Wallace entrar em cena, em nome da classe média (e branca) que pagava essa ideologia.

O populismo de Wallace, combatendo a cultura de assistencialismo e a “burocracia corrupta” de Washington, foi tão poderoso que alterou o perfil dos eleitorados democrata e republicano. Os democratas passaram a contar com o apoio da “intelligentsia” e dos profissionais liberais. Os republicanos acolheram o “homem comum” e o desprezo pelas intromissões do governo federal. Até hoje.

E Trump? Como qualquer populista, ele surge no rastro da grande recessão de 2008. Mas nada do que ele diz é novidade. Combater a imigração; proteger a indústria americana da competição internacional; impedir a deslocalização de empresas para fora dos Estados Unidos; cultivar o isolacionismo nas relações internacionais –tudo isso foi dito por Ross Perot ou Pat Buchanan, dois populistas recentes que antecederam Trump e prepararam o caminho.

No futuro, todas essas ideias serão assimiladas e praticadas, de forma mais elegante e racional, pelos partidos do sistema que nunca ficaram imunes às persuasões populistas. A sensibilidade populista é a primeira antena a captar preocupações reais da população, mesmo que as respostas a essas preocupações sejam toscas ou radicais.

Moral da história?

Donald Trump é um pormenor. Como nas leis da química, o populismo que ele encarna nunca morre e nunca perde. Apenas se transforma.

Leitura equivocada da lei?

Processo de inventário da herança dos Steinbruch é suspenso pela Justiça

Falecida no ano passado, Dorothea Steinbruch, que figurava entre as mulheres mais ricas do País, deixou em vida R$1,5 bi aos netos; transferência de fortuna virou alvo da Procuradoria Geral do Estado, que cobra dos herdeiros R$ 60 milhões em tributos

O processo de inventário de herança da família Steinbruch, aberto após a morte da matriarca Dorothea Steinbruch no fim do ano passado, foi suspenso pela Justiça do Estado de São Paulo. Em sua sentença, proferida no dia 27 de outubro e publicada na segunda-feira, no Diário Oficial do Estado, o juiz José Walter Chacon Cardoso, da 9.ª Vara da Família e Sucessões de São Paulo, afirmou que o “planejamento sucessório praticado pela falecida pode, em tese, ter dissimulado outro negócio com o intuito de frustrar a Fazenda Estadual no tocante ao recebimento do tributo” devido ao governo estadual. A família vai recorrer da decisão, apurou o ‘Estado’.

Os herdeiros da família e a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo divergem sobre a interpretação sobre a cobrança do tributo devido sobre herança. Em março, os herdeiros foram informados que teriam de pagar R$ 60 milhões referentes ao Imposto de Transmissão por Causa Mortis e Doações (ITCMD) e tentam evitar o pagamento na Justiça. A família Steinbruch é representada pelo escritório Corvo Advogados, que pede que a Justiça reconheça a inconstitucionalidade de uma lei estadual.

A defesa da família entende que a cobrança de tributo sobre uma doação feita por Dorothea, que transferiu, em 2011, parte de seu patrimônio da empresa Rio Purus Participações para Fundação Doire, com sede no Panamá, é indevida por se tratar de uma doação feita por uma empresa no exterior.

Para os procuradores do Estado de São Paulo, a transferência em vida de parte das ações da Rio Purus para a Fundação Doire pode se caracterizar como uma divisão de herança.

Procurada pelo Estado, a Procuradoria Geral do Estado informou por meio de sua assessoria, em nota, que quando há discordância “do procedimento adotado para recolhimento do imposto, ou sobre a declaração dos bens, ou sobre a partilha efetuada, ou sobre o valor calculado, é solicitado a suspensão da expedição do formal até que a questão seja resolvida”.

Divergências. Dona de dois importantes grupos empresariais do País – Vicunha (têxtil) e CSN (siderúrgica, com atuação em diversos negócios) –, a família Steinbruch enfrenta um momento delicado nas finanças. Fontes próximas à família afirmam que os irmãos Ricardo e Benjamin já não se entendem, há um bom tempo, sobre os rumos dos negócios. “São divergências de opinião entre dois irmãos, mas isso que não afeta as decisões estratégicas das empresas do grupo”, afirmou uma outra pessoa a par do assunto.

Com a crise global do aço que foi mais aguda no ano passado, a CSN, que tem uma dívida líquida de R$ 25,8 bilhões, chegou a colocar ativos à venda, mas o processo não avançou como o mercado esperava. Das operações colocadas à venda, apenas a divisão de fabricante de latas de aço – a Companhia Metalic Nordeste foi vendida – a transação foi de R$ 98 milhões para o grupo Can-Pack.

Procurado pela reportagem, o escritório Corvo Advogados não se manifestou. A CSN não retornou os pedidos de entrevista.