A força do governo

Vitória indica maioria para reformas

Por Raymundo Costa – 03/02/2017

 

A vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ) mostra que o governo conta com uma maioria confortável para negociar as reformas trabalhista e previdenciária. Maia venceu no primeiro turno, com 293 votos, apenas 15 a menos que o número necessário para aprovar emendas constitucionais, o que exige o quórum qualificado de 308 votos.

A situação pode ser considerada ainda mais confortável para o governo quando se verifica que Jovair Arantes (PTB-GO), o candidato dissidente da base aliada, foi escolhido por 105 colegas. No somatório, chega a 398 o total de deputados federais com os quais o presidente Michel Temer pode contar no Congresso para concluir seu governo com a tranquilidade que permitir a Lava-Jato e a recuperação econômica.

Chega a ser redundância dizer que Temer foi o grande vitorioso da eleição. O presidente é um especialista em eleições na Câmara dos Deputados. Sem a caneta nas mãos, ganhou quatro difíceis – três para a presidência da Casa, sendo que em  uma delas por apenas um voto de diferença, e o impeachment de Dilma. Agora, com a caneta na mão, seu apoio desde cedo desenhou a vitória de Rodrigo Maia. A única dúvida existente era de ordem jurídica, desfeita ontem à noite pelo  STF.

Com a caneta nas mãos, Temer ganhou com Maia sem nunca declarar que ele era seu candidato.

A eleição de Rodrigo Maia acaba de vez com o comando duplo da base aliada na Câmara, que chegou ao paroxismo no período Dilma Rousseff-Eduardo Cunha. A Câmara agora tem comando político unificado. O Centrão deixa de existir no formato configurado pelo ex-deputado Eduardo Cunha, que perpassava as instâncias partidárias. Permanece, sem organicidade, talvez mais parecido com ideologia do Centrão original, que funcionou na Assembleia Nacional Constituinte – um grupo conservador nos costumes e de matiz mais liberal na economia. Permanece, sobretudo, o que foram todos os “centrões” – essencialmente fisiológicos e governistas.

A votação de Maia reforça uma contradição da gestão Temer, um governo cuja popularidade é débil, mas é muito forte no Congresso. A eleição de Maia, a aprovação do teto para os gastos públicos, a mudança na lei do petróleo – a biografia do presidente Temer no Legislativo já supera tudo o que os governos fizeram desde o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Isso não quer dizer necessariamente que a aprovação das reformas será um passeio para a coordenação política do governo, agora sob a regência do consulado do PSDB. Já não se vai mais discutir temas abstratos para a população, como um teto para o gasto público, mas sim medidas que afetam o bolso das pessoas, como aposentadorias e contratos de trabalho.

A mistura de baixa avaliação com a votação de medidas impopulares pode resultar numa combinação explosiva. E não é só: o governo tem pressa e fala em aprovar as reformas ainda no primeiro semestre, porque sabe que depois de julho o ambiente político começa a gravitar em torno das eleições para presidente, governador, senador e deputados de 2018. Quanto mais próxima for a eleição, menor será a disposição de deputados e senadores para tirar direitos ou privilégios (depende do ponto de vista) previdenciários ou trabalhistas do eleitorado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s