Em família:

Antigos sócios da Dudalina travam disputa na Restoque

 Por Cibelle Bouças – 23/08/2016

 

As disputas entre os herdeiros de Adelina Hess e Rodolfo Francisco de Souza Filho ­ fundadores da camisaria Dudalina ­ ganham um novo capítulo. Rodolfo Francisco de Souza Neto, um dos antigos sócios da Dudalina, disse ao Valor PRO que pretende mover uma ação contra a Restoque, para obrigar a companhia a prestar informações sobre movimentações de ações feitas pelos irmãos Renê Murilo e Renato Maurício Hess de Souza ­ estes dois detêm, cada um, 2,4% do capital da Restoque, que comprou a Dudalina em 2014.

Souza Neto é um dos 16 filhos do casal que fundou a Dudalina. Ele integra o grupo de 11 irmãos que concordou com a venda de 72,3% da empresa aos fundos Advent e Warburg Pincus, antes da fusão da Dudalina com a Restoque. À época, Renê e Renato foram contra a venda e saíram da holding que reunia os irmãos, permanecendo na Dudalina como acionistas individuais. Com a venda para a Restoque, os dois irmãos passaram a ter, cada um, 2,4% de participação.

Sônia Hess, a irmã que comandou a Dudalina por anos a fio e é considerada o motor do seu crescimento, é dona de 2,3% da Restoque.

Renê e Renato questionam na Justiça a venda do controla da Dudalina aos fundos. Esse processo ainda corre na 2ª Vara Cível da Comarca de Blumenau.

Souza Neto pede à Restoque, desde março, informações sobre a movimentação de ações feita por Renê e Renato. Souza Neto diz que, por conta do processo que corre na Justiça, Renê e Renato não poderiam negociar as ações da Restoque

Na sexta­feira, a Restoque enviou um ofício à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informando que considerava o pedido de Souza Neto de esclarecimentos “improcedente” e “descabido”. A companhia informou ainda no ofício que, se Souza Neto considera a informação de “suma importância”, que requeira os dados em juízo.

“No momento estou esperando a resposta da CVM, se vai dar razão para a Restoque ou não. Se a CVM não exigir esclarecimentos da companhia, vou entrar com uma ação”, afirmou Souza Neto.

A CVM obriga investidores a informar sobre suas posições acionárias quando detêm mais de 5% das ações de uma companhia.

Para Souza Neto, a Restoque tem obrigação de informar ao mercado sobre a movimentação de ações dos irmãos, por conta do processo que corre na Justiça. “Eles podem até alugar ações, mas deveriam informar ao locatário que existe uma ação ligada à sua participação na Restoque. Em caso contrário, oferece risco para quem alugar ou comprar a ação”, disse Souza Neto.

Renê confirmou ao Valor PRO que aluga ações para um dos sócios controladores, mas não quis dar mais detalhes: “As ações estão alugadas para um dos controladores há mais de um ano, e não existe nenhum problema jurídico nisso”. A Restoque tem como sócios controladores Marcio da Rocha Camargo (25,1% das ações); fundos da Warburg Pincus (22,3%), fundos da Advent (22,2%) e Marcelo Faria de Lima (17,5%). Renato Maurício Hess de Souza não foi localizado pela reportagem. Procurada, a Restoque não quis comentar o assunto.

De acordo com dados da BM&FBovespa, no pregão de sexta­feira, havia 312.836 ações alugadas da Restoque, com movimentação de R$ 1,2 milhão. Esse volume corresponde a 0,1% do total de ações da companhia. No mês, o aluguel de ações da Restoque movimentou 351.036 ações, com volume financeiro de R$ 1,4 milhão.

A Restoque encerrou o segundo trimestre com prejuízo e queda de receita. As vendas da Dudalina recuaram 3%, para R$ 98,8 milhões, mas no conceito mesmas lojas (unidades abertas há mais de um ano), cresceram 8,8% no trimestre. A Restoque negocia uma fusão com a Inbrands, que reúne marcas como Ellus, Richards de Tommy Hilfiger.

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