Estocar energia, não vento.

AES aumenta esforço para uso de baterias no sistema

Camila Maia – 30/06/2016

 

A americana AES Corp. está aumentando os esforços no desenvolvimento da tecnologia de baterias para estocagem de energia no Brasil, afirmou em entrevista exclusiva ao Valor Brian Perusse, vice­presidente global do segmento na companhia. O executivo, que está de passagem pelo Brasil como parte desses esforços, teve na agenda conversas com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Acho que as baterias vão crescer significativamente no Brasil, como tem acontecido em outras partes do mundo. Vemos se encaixando como substituição para outras tecnologias”, disse Perrusse.

A ideia é incentivar o uso das baterias para aumento da segurança energética do sistema, devido ao avanço do uso de fontes intermitentes, como eólica e solar. As baterias poderão ser utilizadas na ponta de carga, contratadas em leilões pelo governo. Para isso, porém, ainda é necessário o desenvolvimento da regulamentação específica e a definição da remuneração dos investimentos, se serão feitos via leilão ou outro tipo de contrato.

Segundo Perusse, a tecnologia é recente e ainda desconhecida por grande parte do mercado. “Uma vez que os reguladores e as companhias entenderem como funciona, a taxa de crescimento do uso da tecnologia deve avançar”, disse.

As baterias podem ser construídas em locais que utilizam muitas fontes intermitentes, como o Nordeste, onde a variação da geração das eólicas por causa do vento muitas vezes gera a necessidade do acionamento de termelétricas caras para segurança do sistema.

“Não importa a fonte, eu posso usar a bateria e entregar a energia na hora que é necessária. Por isso garante a segurança. Uma vantagem é a diversidade de fonte. Outra é a localização”, disse.

Outro uso potencial é em grandes centros em horários de pico de consumo. “O consumo de energia pode não estar crescendo hoje, a necessidade não é de mais energia, mas sim de fornecimento localizado em um local e momento do dia”, disse Perusse.

A tecnologia pode ser usada para evitar uma queda de energia em uma determinada localização, ou na montagem de um chamado “microgrid”, isolando determinada área de quedas no fornecimento, criando uma espécie de “ilha” em uma determinada localização. Ao cercar o local com as baterias, elas podem ser acionadas imediatamente se necessário, a um custo significativamente menor que os de geradores.

“Quando há uma área importante, como por exemplo de hospitais. Você pode isolar essa vizinhança”, explicou Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê, que tem atuado nos esforços da difusão da tecnologia no Brasil.

Segundo Perusse, apesar da tecnologia ser nova, o custo não é elevado, devido às economias por eficiência que pode gerar. “Em todo lugar que instalados, há uma redução de custo para os consumidores. No Chile, reduzimos o custo da energia em US$ 37 milhões por ano”, disse.

Até o momento, a AES tem presença em sete países com a tecnologia de baterias: Estados Unidos, República Dominicana, Chile, Irlanda do Norte, Holanda, Filipinas e Índia. Há 116 megawatts (MW) de baterias em operação, 50 MW em construção e 228 MW em estágio avançado de desenvolvimento, somando 394 MW de capacidade.

Segundo Perusse, os custos de investimento em novas plantas estão mais baratos hoje que no passado, pois o custo das baterias caiu mais de 80% nos últimos anos e mantém a tendência de queda.

Para o executivo, o mercado de baterias mundial está hoje no mesmo momento que o de energia solar estava em 2009. Como o Brasil começou depois na energia solar, a expectativa é que o mesmo caminho seja seguido nas baterias, com crescimento mais acelerado a partir de um certo momento.

“O mercado de energia brasileiro é enorme, as pessoas buscam escala. Leva tempo para que notem que as baterias podem prover muito valor ao grid”, disse Perusse.

A base regulatória do setor elétrico brasileiro é voltada para energia hidrelétrica, afirmou Freitas. “Acho que agora é o momento de desenvolver”, afirmou, lembrando que as baterias podem oferecer soluções para desafios como de transmissão de energia.

“A capacidade de investimento em linhas de transmissão está mais restrita. Você pode adiar esses investimentos bilionários em grandes linhas de transmissão e investir nas baterias”, disse Freitas.

A ideia da AES é continuar o trabalho de mostrar aos reguladores brasileiros os potenciais usos das baterias e instalar projetos iniciais de pequeno porte, para que possam avaliar uso em grande escala no futuro. Dentro de dois anos, a AES deve ter instalado entre 10 MW a 20 MW de baterias no país com essa finalidade inicial. “Queremos atingir isso para crescer com escala rapidamente. Os projetos podem ser construídos em seis meses, é um processo rápido”, disse Perusse, que aposta no avanço da tecnologia nos próximos anos.

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