Novas ideias

Investidores garimpam estratégias inovadoras 

Por Robin Wigglesworth – 31/03/2016 ­ 05:00

 

Quando a Wayfair, uma varejista on­line de US$ 4 bilhões, divulgou seu balanço trimestral no ano passado, os números se mostraram inesperadamente positivos para as ações e deleitaram investidores que ajudaram os papéis a subir mais de 20%.

Para alguns gestores de recursos, no entanto, a forte alta não foi uma surpresa. Graças a um pequeno nicho que fornece dados alternativos, eles já haviam detectado um aumento no número de cópias baixadas do aplicativo da Wayfair na Apple Store. Simultaneamente, haviam registrado um salto nas avaliações de consumidores, o que frequentemente significa a utilização real do aplicativo.

As informações vieram da Thinknum, uma das muitas butiques especializadas em fornecer dados não tradicionais sobre quase tudo, desde o burburinho nas mídias sociais até imagens de satélite que podem ser garimpadas por cientistas da computação de vanguarda em busca de vantagens nos  investimentos.

Balanços trimestrais, avisos sobre revisão de metas de lucro, relatórios econômicos, reuniões de executivos e avaliações setoriais há muito são o fundamento da análise financeira, mas o crescente mundo do “big data” começa a tornar­se cada vez mais importante. “É uma nova era, esta é a nova forma de se fazer análise”, diz Justin Zhen, ex­analista de fundo hedge e um dos fundadores da Thinknum. “As pessoas querem dados. Esta é uma área de alto crescimento.”

“Big data” é um termo simples e descritivo dado à explosão de informações dos últimos anos, alimentada pela revolução on­line. Há mais de 1 bilhão de sites com 10 trilhões de páginas individuais, com 500 “exabytes” de dados, segundo o Deutsche Bank. Um exabyte tem 1 milhão de terabytes ou 1 bilhão de gigabytes. E a enxurrada de dados cresce a cada dia. Mais de 100 bilhões de sites são adicionados à internet por ano.

Há muito tempo existem dados não tradicionais que os gestores de recursos inovadores podem garimpar, muitas vezes valendo­se da velha engenhosidade humana. Alguns fundos, por exemplo, enviavam analistas em início de carreira para observar centros comerciais e concessionárias de automóveis em busca de estimativas de vendas e movimentação de clientes. O volume de dados disponíveis agora vem se expandindo exponencialmente e os avanços na capacidade de computação e na complexidade dos algoritmos permitem que os dados digitais sejam digeridos automaticamente.

Muitos começam a ver benefícios concretos. Por exemplo, alguns fundos de hedge vêm usando imagens de satélite para avaliar o verdadeiro estado da economia chinesa, já que a precisão dos dados oficiais vem sendo colocada em dúvida. Algoritmos avançados podem analisar fotos tiradas do espaço para fornecer um indicador em tempo real da economia.

A empresa americana SpaceKnow lançou recentemente o índice China Satellite Manufacturing, que usa 2,2 bilhões de arquivos de observação por satélite de mais de 500 mil quilômetros quadrados e de 6 mil instalações  industriais pela China para calcular o nível da atividade industrial no  país.

A política é outra área em que o uso de dados pode revelar indicações para negócios. A VogelHood, uma empresa de análises em Washington, analisa montanhas de informações fornecidas pelo governo federal e por lobistas para fornecer dados brutos e informes por encomenda ao setor de investimentos com o propósito de prever o resultado de fusões e aquisições ou os vencedores de contratos governamentais.

“Firmas que estão mais engajadas com o governo ­ em outras palavras, que fazem mais lobby ­ são mais bem­ sucedidas”, afirma Alex Vogel, um dos fundadores da  empresa.

Alguns fornecedores de dados até decidiram entrar, eles próprios, no mundo dos investimentos. A CargoMetrics, com sede em Boston, foi criada originalmente para, com base em imagens de satélites e dados de navegação, fornecer informações a comercializadoras de commodities sobre o comércio internacional, mas recentemente fundou seu próprio fundo de hedge para negociar a partir de suas análises.

Os dados também podem ser bem detalhados. A Eagle Alpha, uma plataforma de informações alternativas criada por Emmett Kilduff, ex­executivo de banco de investimento no Morgan Stanley, aliou­se com uma grande  empresa de transporte e logística que usa faturas individuais para elaborar um indicador atualizado do comércio internacional, permitindo aos clientes ver padrões de importação e exportação em 12 grandes países bem antes da divulgação dos números mensais oficiais. “O mundo vem criando uma quantidade exponencial de dados o tempo inteiro, mas isso não vem sendo realmente aproveitado pelo setor de investimentos”, diz Kilduff.

Além de informações que ajudem os investidores a saber mais sobre o estado da economia chinesa ­ uma preocupação para muitos ­ os dados sobre o consumo são particularmente populares, segundo fornecedores de dados. Por exemplo, a Thinknum também fornece dados detalhados sobre empresas como o Lending Club, uma instituição de crédito entre pares, e a Soulcycle, uma rede de academias de ginástica.

No caso do Lending Club, busca cada empréstimo individual na Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos), onde precisam ser registrados obrigatoriamente, para calcular o movimento da firma. No da Soulcycle, pode mostrar a capacidade total e o grau de presença em cada aula da empresa ­ e até informar o nome do professor. “Há tantos dados por aí afora”, diz Zhen. “O setor financeiro está atrasado em relação à maioria dos outros setores. Esse é o futuro.”

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