Uma revolução técnica e em custos

Impressão 3D cria protótipos de órgãos humanos

Por Beth Koike – 21/01/2016

 

Desde Hipócrates, a medicina evolui por meio de novos tratamentos, drogas, exames e, mais recentemente, com o uso da tecnologia. Agora, a novidade que está atraindo atenção da comunidade médica é a impressão 3D. A  técnica é capaz de reproduzir protótipos de órgãos humanos em tamanho real e com uma textura muito semelhante à verdadeira. As réplicas são elaboradas a partir de exames de imagem do próprio paciente e trazem detalhes que um ultrassom, por exemplo, não consegue  mostrar.

No Brasil, a pioneira em impressão 3D de protótipos de órgãos humanos é a Bioarchitects, uma startup criada em meados de 2013. A empresa já fez 200 réplicas desse tipo, cujo nome técnico é biomodelo, para médicos de hospitais como Samaritano, Sírio­Libanês, Albert Einstein e Santa  Marcelina.

O presidente da Bioarchitects, Felipe Marques, ressalta que a tecnologia de impressão 3D proporciona uma  redução de custos, em um momento no qual outras tecnologias são apontadas como vilãs do elevado custo da saúde. Com a réplica do órgão humano em mãos, argumenta Marques, o médico mensura melhor a quantidade de materiais e medicamentos necessários e faz a cirurgia em menos tempo. Com isso, otimiza o uso de sala cirúrgica e reduz os honorários médicos, baseados em tempo. “Com o uso do biomodelo, tivemos uma economia de R$ 25 mil em materiais numa cirurgia para recuperação de cinco costelas fraturadas. O médico cortou as placas de titânio para unir as costelas com base no protótipo e evitou o desperdício”, explica o executivo. Cada peça de titânio, um filete de espessura semelhante à costela, custa cerca de R$ 12  mil.

“É uma evolução na medicina porque o biomodelo é uma reprodução fidedigna. Com o protótipo, é possível tomar uma decisão mais acertada sobre o procedimento médico a ser adotado e com outros profissionais”, diz Giselle Coelho, neurocirurgiã do Hospital Santa Marcelina. A médica já fez três cirurgias de crânio e uma de coluna a partir de biomodelos. Essa tecnologia começou a ser usada em maior escala em 2014 tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Boston Children’s Hospital, que pertence à Universidade de Harvard, foram realizados cerca de 300 procedimentos com biomodelos nos últimos dois  anos.

Um dos diferenciais da Bioarchitects é que a empresa consegue reproduzir peças maleáveis capazes de se assemelhar a texturas de partes do corpo humano como a aorta, principal artéria do sistema circulatório. Essa reprodução é relevante porque hoje os estudos de anatomia são feitos com cadáveres, o que não possibilita estudos mais precisos de órgãos que precisam ser bombeados com sangue. A Bioarchitects é a única empresa  brasileira dessa área a ter certificado do FDA ­ o órgão americano responsável pela aprovação de medicamentos ­ para impressão de placas de titânio usados na reconstrução de áreas danificadas do corpo humano. A empresa recebeu aporte inicial de US$ 1,2 milhão do engenheiro Aurélio Lebovitz, que vendeu seu negócio de telecomunicações e passou a investir em tecnologia aplicada à  saude.

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