Olhem o que vem por aí 1

Mão de obra escassa abre portas para mais robôs

Por James R. Hagerty – 03/12/2015

Numa antiga oficina de armários de cozinha na cidade americana de Atlanta, dezenas de engenheiros estão criando robôs para costurar roupas e tapetes ­ tarefas geralmente relegadas a trabalhadores com baixos salários em  países distantes.

A SoftWear Automation Inc., “startup” que emprega os engenheiros, promete transformar a indústria de  vestuário, automatizando a produção para que as peças possam ser feitas em fábricas de qualquer lugar por robôs supervisionados por uma equipe de poucas  pessoas.

Até o momento, os robôs podem realizar apenas tarefas básicas, como costurar em torno de casas de botões ou nas bordas de tapetes de banho macios. Eles não conseguem fazer outras coisas que as pessoas fazem, como juntar  dois pedaços de tecido e costurá­los numa  camisa.

O robô SewBots, da SoftWear, não pode produzir uma roupa completa, embora a firma espere atingir esse estágio em 2016.

O setor de vestuário está interessado na tecnologia, mas as empresas “vão começar devagar”, diz K.P. Reddy, diretor­presidente da SoftWear. “Será incremental.”

O mesmo pode ser dito de muitas aplicações potenciais de robôs, impressoras 3­D e outras formas de automação, desde montar produtos até cuidar de idosos. Embora até agora o progresso tenha sido incremental, nas próximas décadas os ganhos podem provocar uma redução significativa na necessidade de trabalhadores em muitas   áreas.

“Em 2030, 90% dos trabalhos que conhecemos hoje serão executados por máquinas inteligentes”, escreveram três analistas da firma de pesquisa Gartner Inc. num relatório de 2013. Eles definiram máquinas inteligentes como aquelas que executam coisas que, anteriormente, acreditava­se que só pessoas poderiam fazer, como aprender   com a experiência. As máquinas, disseram eles, “estão evoluindo para além da automação de tarefas básicas e se tornando sistemas avançados de autoaprendizagem que copiam o cérebro   humano”.

Em 2050, tais máquinas vão provavelmente “executar todos os trabalhos que fazemos atualmente”, diz Vivek Wadhwa, acadêmico da Universidade de Stanford que escreve frequentemente sobre tendências tecnológicas. “Quanto mais olho para frente, mais me convenço que os empregos não terão mais a ver com subsistência. Como tudo vai ser tão barato, nossos empregos serão sobre conhecimento e as artes. É isso que nos manterá ocupados.”

As tarefas mais comuns dos robôs industriais hoje incluem suspender cargas pesadas, soldar e aplicar cola, tinta e outros revestimentos. Os robôs podem levantar cargas muito mais pesadas do que as pessoas conseguem carregar e são muito mais precisos. Ao contrário das pessoas, eles fazem exatamente o que lhes ordenam. Eles também podem trabalhar 24 horas por dia.

Mas os robôs ainda não se igualam às pessoas em termos de versatilidade, bom senso e capacidade de improvisar. Para demonstrar as deficiências dos robôs, Rodney Brooks, presidente do conselho da Rethink Robotics Inc. e  ex­professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, põe a mão no bolso e tira suas chaves. Essa tarefa requer muito mais destreza do que os robôs de hoje podem atingir. “Nossas mãos são mecanismos sofisticados”, diz. “Estamos pelo menos a dez anos, talvez 20, de ter robôs com uma destreza” próxima dos níveis   humanos.

Considerando as limitações tecnológicas, uma abordagem cada vez mais popular é produzir robôs colaboradores, que trabalham junto com pessoas. Os robôs fazem as tarefas que exigem força e precisão, enquanto as pessoas entram com a destreza para unir peças e o bom senso para resolver imprevistos. Os robôs estão ficando menores e mais leves e já podem ser movidos de uma tarefa para outra. Eles também estão se tornando mais fáceis de programar à medida que os desenvolvedores criam métodos intuitivos para ensiná­los a realizar novas   tarefas.

O boom global de produtos como smartphones e consoles de jogos eletrônicos reduziu o custo de componentes de robôs como sensores, câmeras e chips capazes de processar grandes volumes de informação, diz Larry Sweet, professor de robótica do Instituto de Tecnologia da Georgia. Ele ressalta que os avanços em reconhecimento de voz, do tipo usado pelo aplicativo Siri, do iPhone, permitirão que os robôs cheguem a um ponto em que as pessoas possam dizer a eles o que fazer.

Os robôs também têm o potencial de aprender sozinhos. Em vez de meramente seguir instruções codificadas escritas por pessoas, eles serão cada vez mais capazes de aprender habilidades procurando na internet pistas de como problemas específicos foram resolvidos antes, escreveu recentemente Gill Pratt, ex­gerente de programação da Agência de Projetos de Pesquisas Avançadas de Defesa dos Estados  Unidos.

A automação, é claro, não consiste só em robôs. Avanços na impressão em 3­D devem permitir que muitos produtos sejam feitos com menos trabalho humano. E a convergência de grandes volumes de dados, o chamado “big data”, e uma computação móvel cada vez mais poderosa significa que os aparelhos vão ajudar as pessoas a aprender habilidades e a trabalhar com mais eficiência, de modo que menos pessoas serão  necessárias.

Em Atlanta, a SoftWear está assumindo um dos desafios mais difíceis da automação. A indústria de vestuário há muito é um dos setores que menos investe em automação, em parte devido às baixas margens de lucro e a grande quantidade de mão de obra disponível. Agora, os fabricantes de roupas podem estar mais inclinados a investir porque a oferta de mão de obra barata caiu e os varejistas querem entregas cada vez mais rápidas e que não precisam cruzar oceanos.

A SoftWear, que começou como um projeto de pesquisa no Instituto de Tecnologia da Georgia, já entregou duas máquinas para uma grande empresa têxtil dos EUA que ela não identificou. Mas Reddy, o diretor­presidente, diz que espera vender entre 75 a 100 robôs no próximo ano.

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